sexta-feira, 20 de abril de 2012

O PAPEL DO ANTIAGREGANTE PLAQUETÁRIO NO HIPERTENSO DIABÉTICO

   A doença cardiovascular (DCV) é a principal causa de mortalidade e morbidade em pacientes com diabetes. Prevenção de doenças cardiovasculares em pacientes com diabetes envolve uma abordagem multifatorial que visa tratar o conjunto de fatores de risco, incluindo hiperglicemia, dislipidemia, obesidade, hipertensão e hipercoagulabilidade associada com esta condição. Antiagregantes plaquetários reduz o ambiente protrombótico na diabetes, mas as complicações da presente abordagem terapêutica incluem um risco de hemorragia geral, hemorragia intracraniana, riscos estes que aumentam na presença de hipertensão. Atuais orientações recomendam a utilização de agentes antiplaquetários após um controle da pressão arterial, a qual, na prática clínica, nem sempre é possível. 
   Tratamento com aspirina tem um papel importante na prevenção secundária das DCV em pacientes com diabetes e hipertensão. No entanto, o papel na prevenção primária é discutível, e apesar de algumas orientações, sugerindo tratamento de pacientes de maior risco como diabéticos, faltam provas concretas para tal abordagem. Dados limitados sugerem eficácia superior da monoterapia com clopidogrel comparado com a aspirina em pacientes diabéticos, mas estes não são conclusivos. O papel da monoterapia com prasugrel em diabetes é desconhecida, mas combinação com aspirina após um evento isquêmico é superior ao clopidogrel e aspirina sem aumento do risco de sangramento. Deve-se notar, no entanto, que a PA deve ser rigorosamente controlada, não sendo recomendado o uso de prasugrel em pacientes diabetes com a PA descontrolada. O ticagrelor mais novo agente antiplaquetário provavelmente oferece uma vantagem sobre o clopidogrel.
   Recomendações para uso de antiplaquetários em pacientes hipertensos diabetes com PAS <145 mmHg como prevenção primária, não é recomendado, mas pode ser considerada em indivíduos de alto risco. Embora os agentes antiplaquetários, principalmente aspirina, sejam amplamente utilizado na diabetes, a sua segurança e eficácia em pacientes hipertensos não está inteiramente claro.
   Na prática, é difícil, e não ético, realizar estudos com terapia antiplaquetária em diabéticos com hipertensão não tratada. No entanto, estudos prospectivo e retrospectivo futuros podem ser capazes de responder a relação risco/benefíciode no tratamento antiplaquetário em pacientes diabéticos com controle variável da PA. 

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